26 Maio 2013

ROMA CRIMINAL


Apesar da aparente multiplicação da oferta televisiva gerada pela aparição da televisão por cabo, a acentuação simultânea da dependência das fontes de produção norte-americana faz com que séries de grande qualidade, como acontece com este excelente Romanzo Criminale, se possam tornar agora mais difíceis de encontrar do que, por exemplo, uma sua antecessora com a mesma origem italiana e de tema policial aparentado, intitulada La Piovra (O Polvo), que marcou a década de oitenta.         

25 Maio 2013

O PAPEL DE RÓMMEL NA CAMPANHA DA POLÓNIA

O papel do famoso Erwin Rommel (1891-1944) durante a Campanha da Polónia que abriu a Segunda Guerra Mundial em Setembro de 1939 foi até bastante discreto: passou-a longe da frente, como comandante do batalhão de segurança de Adolf Hitler. Responsabilizando-se pela segurança da parada da vitória que teve lugar em Varsóvia a 5 de Outubro, os polacos ter-lhe-ão simplificado a vida, esvaziando as ruas de transeuntes (abaixo).
O Rommel que desempenhou um papel central durante aquela Campanha chamava-se Juliuz Rómmel (1881-1967) e combateu do outro lado. O Rómmel polaco assumiu inicialmente o comando do Exército de Łódź (os exércitos polacos recebiam a designação da cidade onde tinham o QG) e, depois do insucesso em deter a ofensiva alemã, o do Exército de Varsóvia, cuja capitulação, a 28 de Setembro de 1939, representou o fim da Campanha.

24 Maio 2013

ISTO É QUE DEVE SER PROMOÇÃO DE IMAGEM!

Ao contrário da de um primeiro-ministro comum do poste anterior, veja-se o que é uma promoção profissional de um produto: há coisa de duas semanas a notícia da construção de uma arma construída a partir de peças criadas por uma impressora de 3 dimensões tornou-se notícia (acima), trazendo a tecnologia para a ribalta, envolta simultaneamente em notoriedade (o site por onde se copiavam as peças rebentou ao fim de 100.000 carregamentos) e controvérsia (as autoridades norte-americanas manifestaram a sua intenção de a proibir). Quem está interessado na promoção das vendas das impressoras com a tecnologia 3 D quer o sucesso das vendas mas sem controvérsias associadas e será por isso que as notícias sobre o assunto se devem deflectir para o seu lado benemerente como a notícia de hoje onde se anuncia como, através de uma prótese (abaixo), a Impressora 3D salvou a vida a bebé de dois meses

DE UM ANO PARA O OUTRO…

Por esta mesma altura do ano passado a notícia, a abrir telejornais (acima), era que Pedro Passos Coelho tinha sido vaiado quando decidira ir à Feira do Livro à civil. Se este ano ele decidir lá ir também, só a intenção será logo notícia… porque entretanto caiu a intenção (mas também a plausibilidade) de fazer passar o Pedro por um tipo normal, propenso a desabafos no facebook.  

23 Maio 2013

UMA AUSÊNCIA FLAGRANTE

Domingo, 8 de Dezembro de 1918. Ainda não se passara um mês depois do Armistício que pusera fim à que então ficara conhecida por Grande Guerra. A cidade de Metz, capital da Lorena, que a França perdera em 1871 para a Alemanha, acabara de ser reocupada pelos franceses como o Le Petit Journal desse mesmo dia proclamava em toda a sua primeira página. E deliberadamente os franceses elegiam-na para local da cerimónia de entrega do bastão de Marechal de França àquele que fora um dos grandes vencedores do conflito: Philippe Pétain. Do lado direito da fotografia abaixo, vê-se o Presidente da República Raymond Poincaré que iria proceder à entrega do bastão, acompanhado ao seu lado direito pelo Presidente do Conselho e chefe do governo, Georges Clemenceau. São os dois únicos protagonistas civis da cerimónia. Ao centro está o homenageado envergando uma farda clara. Por detrás perfilam-se as altas patentes francesas e aliadas. Da esquerda para a direita, identifica-se o Marechal Joseph Joffre, o General Maxime Weygand, ligeiramente mais recuado que os restantes, e o Marechal Ferdinand Foch, todos franceses; seguem-se o Marechal Douglas Haig, britânico, o General John Pershing, norte-americano, o General Cyriaque Gillain, belga, ligeiramente encoberto, o General Alberico Albricci, italiano, e o General Józef Haller, polaco.
O que será significativo para nós, nesta fotografia em que estão representados ao mais alto nível todos os exércitos presentes na Frente Ocidental (até mesmo o recém-formado exército azul polaco), é a ausência na cerimónia de um oficial general português. Pesquisei, mas não consegui encontrar explicações para aquele lapso tão flagrante, mas sejam as explicações atribuíveis a uma ausência involuntária da parte portuguesa ou a uma descortesia voluntária da parte francesa, o pormenor não terá deixado de ter tido o seu significado e as suas repercussões. Note-se que na época Portugal era dirigido pelo Presidente Sidónio Pais, reputado interna e externamente pela sua germanofilia, que então procurava apanhar o comboio da vitória: uma semana antes, a 30 de Novembro, numa sua distribuição de honras nacionais também ele condecorara os Marechais Foch, Haig e Joffre com Grã-Cruzes das Ordens da Torre e Espada e de Santiago da Espada. Porém e por coincidência, registe-se que Sidónio Pais viria a morrer assassinado no Sábado seguinte, a 14 de Dezembro de 1918.

22 Maio 2013

PERCENTAGENS DE INFLUÊNCIA

Entre a memorabilia mais significativa de toda a Segunda Guerra Mundial conta-se a folha de papel acima, escrita pessoalmente por Churchill e visada com aquele visto concordante de Estaline. Data de Outubro de 1944 e neste papel os países da Europa de Leste são redistribuídos em percentagens de influência pelas duas potências: a Grécia será britânica a 90%, a Roménia russa a 90%, a Bulgária russa a 75%, a Jugoslávia e a Hungria equitativas nos 50/50%. O episódio costuma ser contado com um aparente tom de ultraje por causa das negociações entre o imperialismo britânico e o soviético mas, na sua substância, não se nota qualquer esforço para o esquecer ou ignorar, acabando ele por se vir a mostrar lisonjeiro para as pretensões britânicas, quando os mostra a negociar aquilo que já não controlavam, atente-se ao que lá não está e ao que a História depois mostrou que não se veio a cumprir.

Ausentes da lista, e consequentemente da pretensa disputa entre esferas da influência, estão tanto a Checoslováquia como a Polónia, países pelo controle dos quais se haviam desencadeado, respectivamente, a Crise de Munique de Setembro de 1938 e a própria Segunda Guerra Mundial um ano depois. Também dos três países bálticos, a Estónia, a Letónia e a Lituânia, que haviam sido ocupados pelos soviéticos em Junho de 1940, nem se fala. Todos eles ficarão na órbita soviética, quando não integrados politicamente na própria União. Quanto à subtileza das percentagens, é a dinâmica da presença dos exércitos de cada uma das potências que irá criar uma lógica binária, insensível a percentagens de influência. Quando da Revolução húngara de 1956 contra os soviéticos (abaixo), nem fazia sentido relembrar que outrora Estaline se dispusera a dividir equitativamente o controle sobre aquele país… 

EMPRESAS ESCROQUES


Há que constatar que se tornou impossível, quando se quer prescindir dos serviços de uma operadora de comunicações, de uma fornecedora de electricidade ou gás ou de televisão por cabo, conseguir uma rescisão pacífica. Primeiro são obstáculos inultrapassáveis, parodiados no vídeo acima, em a concretizar: tudo o que haviam sido facilidades no momento da contratação desaparece e transforma-se em dificuldades no da rescisão. Depois, o prémio para os mais persistentes costuma ser uma factura final reforçada invocando uma qualquer cláusula vingativa escondida no contrato. Quem reclama, torna a esbarrar-se contra outra parede de incompreensão. Quem não paga – porque a experiência já o ensinou a remover preventivamente as autorizações de débito em conta… – tem que se preparar para uma via-sacra de interpelações por parte de empresas especializadas em espremer o que resta daqueles créditos ditos mal-parados. Depois, os ciganos é que têm má reputação…

21 Maio 2013

A BALDA QUE SE JUSTIFICA

A questão – mais importante do que os piquetes que folcloricamente se exibiam à entrada do palácio de Belém – começou por ser a atitude do presidente do governo regional dos Açores, quando ostensivamente se absteve de comparecer na reunião do Conselho de Estado que o presidente da República convocou – decerto involuntariamente – para uma data festiva da autonomia açoriana. Mas, porventura mais preocupante, estarão a ser as reacções desagradadas que tenho lido por aí à irrelevância do teor das conclusões da referida reunião, o que acaba de alguma forma por legitimar à posteriori a balda açoriana.

QUEM VÊ CARAS NÃO VÊ CORAÇÕES

As manifestações de júbilo com a vitória da Segunda Guerra Mundial em princípios de Maio de 1945 (acima) não mostravam quais eram os pensamentos mais profundos dos britânicos: nas eleições que vieram a ter lugar daí por dois meses os conservadores de Winston Churchill foram severamente derrotados pelos trabalhistasde Clement Attlee. Contando com a popularidade do primeiro-ministro, nem trabalhistas nem liberais apresentaram candidato no círculo eleitoral por onde Churchill se apresentou. Mesmo assim, Hancock, o único candidato independente que concorria contra Churchill e que preconizava uma semana de trabalho de um dia, recebeu 10.488 votos contra os 27.688 do primeiro-ministro. Significativamente houve outros 20.000 eleitores do círculo que não votaram. A propaganda não o permitia dizer então, a História oficial não o pretenderá reconhecer hoje, mas parecia haver uma inconfessável saturação por todo o Reino Unido com a pessoa de Churchill. Veja-se que, dali por 6 anos e já com um opositor trabalhista, Hancock tornou a desafiar o líder conservador e recebeu uns meros 851 votos contra 40.938 de Churchill...

20 Maio 2013

FѠDIDO

Depois de o aprender e durante os anos em que fui analfabeto quanto à forma de escrever este famoso verbo, sempre estive convencido que ele se escrevia com u nas formas em que se assim se pronunciava. Era um palavrão terrível demais para se limitar ser um verbo regular da segunda conjugação, como se fora o banal verbo poder reconvertido com um f no início. Acabei por aceitar a convenção, mas vencido, não convencido. Há formas do famoso verbo em que a pronúncia das primeiras sílabas divergem tanto que não devem ser escritas da mesma forma, confronte-se com o enfase na placa de aviso da fotografia acima, em que o som sibilino como se deve acentuar a primeira sílaba não é de todo semelhante ao da palavra podido

19 Maio 2013

«JOGGING» ESPACIAL

Dmitri Kasterine fotografou Stanley Kubrik com um dos cenários mais identificativos do seu filme 2001: Odisseia do Espaço por detrás, onde se filmou uma das mais famosas cenas desse filme onde, em takes contínuos, se seguia o jogging de um dos cosmonautas (Frank Poole) à roda (360º) da nave ao mesmo tempo que se ouviam os acordes de uma plácida suite para ballet composta em 1941-42 pelo arménio Aram Khachaturian (abaixo, a partir do 1:30).     

Para que se conseguisse a ilusão de um ambiente de imponderabilidade onde o efeito de rotação criava uma gravidade artificial, houve que construir uma gigantesca roda giratória com mais de doze metros de diâmetro e adaptar a movimentação das câmaras ao ritmo de rotação da roda e da corrida de Frank Poole, como se este fosse um hamster a exercitar-se na roda de exercício da sua gaiola. Só que esta roda custou a bagatela de 750.000 dólares...  

O «HABITAT» NATURAL

O que há de insólito na fotografia acima é que um dos animais estava fora do seu habitat natural. Não abundariam os automóveis daquela sofisticação nos países de origem dos rinocerontes, nem costumava haver muitos rinocerontes à solta pelas estradas dos países para onde aqueles espadas dos anos 50/60 costumavam ser produzidos. À sua maneira, foi um desastre ecológico.

18 Maio 2013

O MINISTRO DE ESTADO E DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS


Terá que ser por ironia que recentemente se instalou a moda da informação tratar Paulo Portas pelo seu título por extenso de ministro de estado e dos negócios estrangeiros, como se fosse para lhe estampar uma dignitas que se sabe que não tem. Recuperam-se aqui algumas das suas intervenções no parlamento de há cinco/seis anos em que a formação do preço dos combustíveis parecia ser, pelo conteúdo e forma dos seus discursos, um problema apocalíptico para a economia portuguesa. Desses anos para cá, o preço da matéria-prima (petróleo) desceu no mercado internacional enquanto o preço do produto acabado (gasolina) subiu no mercado nacional. Actualmente Paulo Portas e o seu partido já estão há quase dois anos no governo mas não me recordo de qualquer iniciativa do CDS/PP para resolver o problema de quem está a viver uma crise dramática do ponto de vista da sustentabilidade das empresas com o preço dos combustíveis (como se pode ouvir no vídeo acima), em vez de baixar o ISP que é bom para quase todos e tem efeito na economia em geral, acaba por ir cedendo a uns e a outros conforme o tom e a pressão… (no vídeo abaixo). De Portas já se ouviu tanto e tão variado, que ele pode tornar-se o pior crítico de si mesmo...

Adenda: Reconheça-se a semelhança da guarda de honra a Paulo Portas nas duas ocasiões. Quer no fardamento - impõe-se o fato, a camisa e a gravata azul - quer nos membros - mesmo mudando de lugares, entre os cinco repetem-se Nuno Melo, Diogo Feio e Helder Amaral. 

17 Maio 2013

DA DIFICULDADE EM COMPREENDER OS ALEMÃES

Sendo mais de oitenta e um milhões é natural que os alemães tenham uma imensa variedade de opiniões políticas. Explorar informativamente as contradições entre o que surge em off e em on a respeito da crise actual da Europa é um exercício informativo que servirá para vender papel ou ocupar tempo de antena mas será gratuito para efeitos do seu significado. Na Alemanha é costume ser-se transparente no que pensa e o que distingue os alemães na Europa é a sua disciplina na acção, exemplificada pela série de fotografias das suas organizações de juventude do passado. Creio que nenhum outro país as terá possuído tão genuínas:








E o facto da série de fotografias começar com Adolf Hitler em pessoa antes da Segunda Guerra Mundial e terminar com Joseph Estaline num retrato gigante já depois dela demonstra quando essa disciplina entre os alemães é intuída e transversal às ideologias…